Nos meus workshops e formações de Babywearing gosto muito de focar o tema da Exterogestação e de explicar como um método está naturalmente relacionado com o outro. Ao entenderem a necessidade primordial que o colo e o toque nutritivo, o afecto e a compreensão que um pequeno ser precisa assim que o retiramos de tudo aquilo que conhecia até então, aquilo que foi o seu habitat natural durante cerca de 9 meses, os pais conseguem compreender esta importância, de deixá-los crescer de forma lenta e natural. O bebé estava habituado a um ambiente escuro, quente, tranquilo, onde todas as suas necessidades imediatas eram correspondidas, sem ele ter que as reclamar, sem ter que chorar.
A teoria da Exterogestação foi criada pelo antropólogo e humanista Ashley Montagu. É uma teoria de grande valor socioafectivo, cultural e comportamental.
Assenta no princípio da existência de um quarto trimestre, em que após o bebé nascer, a sua gestação deve ser continuada pelo menos durante os seu primeiros três meses de vida, como se continuasse no útero da mãe. Período durante o qual requer cuidados por parte dos seus cuidadores, para que aos poucos se consiga adaptar à vida fora da barriga da mãe. Esta adaptação é essencial ao seu desenvolvimento equilibrado, contribuindo para reforçar os laços de confiança e apego com a mãe.
O objectivo desta teoria é tentar recriar ao máximo as sensações que o bebé tinha dentro do útero, quer a nível afectivo, quer a nível presencial.
Todos os pais deveriam aprender sobre a importância de recriar este quarto trimestre fora do útero, a importância do toque, do apego e de responder às necessidades emocionais do bebé. Um bebé que esteja satisfeito e junto dos seus progenitores, é um bebé que irá crescer com mais confiança e auto-estima, o que a curto prazo se irá reflectir muito mais cedo no seu desenvolvimento e conquista natural pela sua independência em relação aos pais.
Para ajudar o bebé a atravessar esta fase inicial com calma e tranquilidade, existem várias formas de aplicarem o método da exterogestação:
Contenção física, quer através de um swaddle, ou uma cama ninho, que contorna o bebé a uma escala mais reduzida que um berço ou cama de grades;
Canções de embalar
Muito colinho, com o recurso de porta-bebés (babywearing) que respeitem a postura natural de bebé (de preferência com um tecido maleável e respirável), oferecendo a contenção necessária;
Posição lateral ou posição fetal:
Toque, massagem Shantala com o recurso de óleos biológicos;
Ruído branco ou “white noises” (sons do útero), sons que o bebé ouvia dentro do útero, como o aspirador, máquina de lavar roupa, secador do cabelo, rádio fora da estação (existem aplicações já com estes sons)
Balançar numa bola de Pilates;
Banho num sistema de banheira tubular (banheira Shantala), que permita a posição fetal e verticalizada do bebé:
Sono seguro, dormir no mesmo quarto que os pais ou em co-sleeping;
Para além destas existem mais dicas , sendo que o objectivo principal será sempre conseguirmos responder às necessidades mais imediatas do bebé, que poderão ser físicas (fome, calor, fralda suja, tédio, hiperestimulação) ou emocionais (necessidade de consolo, conforto, carinho, toque, apego). Essencialmente, evitar sempre que possível deixar o bebé a chorar.
Texto de Mónica Marques
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